Archive for the ‘Peruibe’ Category

Centenário da Estação de Peruíbe será celebrado na Câmara Municipal

Estação Ferroviaria 100 anos

Em celebração ao centenário da Estação Ferroviária de Peruíbe completados no último domingo, a cidade realiza uma série de atividades nesta quinta-feira.
O ponto alto será a Sessão Solene que ocorrerá na Câmara Municipal, a partir das 19h30, onde, por indicação da Associação dos Amigos da Estação e Adjacências, serão homenageados ex-funcionários (inclusive in memorian), moradores do bairro e os Amigos da Estação.
Dentre os Amigos estão o ex-prefeito Benedito Marcondes Sodré, o arqueólogo Plácido Cali, a ex-vereadora e ex-presidente da Câmara Municipal Onira Betioli, o historiador Roosevelt de Almeida Santos, a arquiteta Maria Luiza Dall’anese, o ex-vereador Carlos Luis Rúbio e o empreendedor Eduardo Ribas.
Todos, inclusive os ex-funcionários e suas famílias e os moradores do bairro, receberão medalhas de Honra ao Mérito por tudo que fizeram em prol deste importante edifício histórico e cultural de Peruíbe.
Veja os demais atos programados para os próximos dias:
Amanhã (29):
Palestra e oficina sobre o patrimônio histórico, na Estação, em dois horários 9h30 e 14h00.
Sábado (30):
Exposição de ferreomodelismo, com exposição de modelos e fotos, na Estação das 9h00 às 17h00.
Domingo (31)
Exposição de ferreomodelismo, com exposição de modelos e fotos, na Estação das 9h00 às 14h00.
Festa com o Forró do Asfalto, na Av. 24 de Dezembro (em frente à Rodoviária), às 19h00.
A programação prevista para a manhã de hoje foi cancelada devido às chuvas, segundo a prefeitura.

Turismo rural de Peruíbe é destaque no Rota do Sol

Peruibe no Rota do Sol

O programa da TV Tribuna “Rota do Sol”, comandado pela jornalista Rosana Valle, destaca neste sábado o turismo rural da cidade de Peruíbe.
A reportagem apresenta o roteiro rural da cidade, com lugares a serem visitados, comidas típicas e o maravilhoso meio ambiente daquela região. Você vai poder conhecer lugares muito legais da zona rural, como o sítio do Costinha.
O “Rota do Sol” começa às 11 horas e não dá pra perder.

Hoje tem atividade ufológica em Peruíbe

roteiro ufologico peruibe 2014

Neste sábado (23) será realizado evento sobre ufologia em Peruíbe. Haverá visita em roteiro ufológico, vigília e apresentação de documentário gravado na cidade.
Confira a programação:
A saída para roteiro ufológico, a partir da Pousada Gaivotas, será às 13h30, com retorno marcado para às 18 horas. Já às 20 horas será exibido o vídeo “Sinal Verde”, seguido de um debate sobre o tema.
Por fim, a programação prevê uma vigília na Praia do Guaraú.
Já amanhã, domingo (24), terão atividades opcionais (passeios em canoas canadenses e caiaque, além de observação de pássaros).
A cidade de Peruíbe tem tradição na discussão sobre o tema.

Evento Ufológico em Peruíbe

roteiro ufologico peruibe 2014

Os interessados em ufologia não podem perder o evento que será realizado no próximo dia 23 de agosto em Peruíbe. Haverá visita a roteiro ufológico, vigília e apresentação de documentário gravado na cidade.
A cidade tem a tradição na realização de eventos ufológicos e também é referência para os estudiosos no assunto.
A saída para o roteiro ufológico, a partir da Pousada Gaivotas, será às 13h30, com retorno marcado para às 18 horas. Já às 20 horas será exibido o vídeo “Sinal Verde”, seguido de um debate sobre o tema.
Por fim, a programação prevê uma vigília na Praia do Guaraú.
Mas não é só: no domingo (24) terá atividades opcionais (passeios em canoas canadenses e caiaque, além de observação de pássaros).
Você pode obter mais informações e fazer reservas pelo telefone móvel (13) 99730-7182 ou pelo e-mail natrilhadajureia@hotmail.com.

Ato comemorativo do Centenário da Estação de Peruíbe é neste mês

Estação Ferroviaria 100 anos

Conforme informações preliminares do Poder Executivo do município no próximo dia 28 de agosto será realizado ato/sessão solene na Câmara Municipal de Peruíbe em comemoração ao Centenário da Estação Ferroviária da cidade.
Na oportunidade serão feitas homenagens a pessoas que contribuíram para a este patrimônio cultural. Logo que obtivermos mais informações estarei divulgando aqui no blog.

Tem Sarau Cultural na biblioteca de Peruíbe

sarau peruibe 19 agosto 2014

O Departamento de Cultura do município de Peruíbe realiza Sarau Cultural no próximo dia 19 de agosto, a partir das 18h30. Os interessados devem entrar em contato pelo telefone 3454-1215.
O sarau será realizado na biblioteca municipal, localizada à Rua Ministro Genésio de Almeida Moura, 13, no Centro (perto do Pão de Maçã).

Programação musical de agosto da Praça Flórida

Programação Agosto Praça Florida

Com programação agendada desde ontem à noite, a Praça Albano Ferreira (Flórida) terá muita música neste mês de agosto, com artistas locais. Confira:
Hoje – Toninho Teles
Dia 8 – Os Hartungs – Blues
Dia 9 – Wal Panicalli
Dia 15 – Bruno Azevedo
Dia 16 – Nanny Ribeiro
Dia 23 – Nanne Reis
Dia 29 – Marquinhos Costa e Rafael Laraia
Dia 30 – Edy Rodrigues
As apresentações começam sempre às 20 horas.

Entrevista: Fátima Cristina Pires, historiadora

FATIMA PIRES para a entrevista blog

O blog “Arte, Cultura e Atualidades” entrevistou a educadora e historiadora de nossa cidade, Fátima Cristina Pires, onde ela discorre sobre a história local, a pré-história, personagens como Leonardo Nunes e Pero Correa, livros indicados para quem conhecer mais sobre o assunto e muito mais.
Fátima é uma apaixonada por Peruíbe e há anos se dedica a estudar e difundir a história caiçara e local. Graduada em História, pós-graduada em Patrimônio Histórico e Educação Patrimonial e Mestre em Educação, Fátima, além de funcionária da prefeitura da cidade, lotada no Departamento de Cultura, leciona no curso de Pedagogia da FALS (Faculdade do Litoral Sul Paulista) e nos cursos de História, Pedagogia e Serviço Social da Faculdade Unisepe.
Neste longa entrevista você vai poder compartilhar do conhecimento dela e se apaixonará pelo tema.
Leia a íntegra da entrevista:

BLOG: Recentemente você estreou coluna no jornal Bem-Te-Vi, de Peruíbe. Como é escrever sobre a história da cidade, de nosso povo?

É muito interessante poder contar a nossa história por meio da história das “coisas”, como no caso comecei contando a importância da história das praças para a sociedade de uma em forma geral, chegando até as nossas praças municipais, onde poderemos estar falando não somente de história, mas de memória, patrimônio e identidade. É importante as pessoas se sentirem parte e responsáveis pela história, entender que a história não é algo vago e distante, a história é agora, feita por nós, e falar da história do nosso município é viver a nossa identidade.

BLOG: A cidade de Peruíbe tem uma rica história. Como vê a importância da questão colonial, das populações indígenas e, anteriormente, a questão dos sambaquis?

Esse fato é muito importante. A conscientização da pré-história é fundamental para entendermos a nossa cultura. Há algum tempo fui convidada pela hoje coordenadora Eliana Aurélio para fazer palestras de história do nosso município para as professoras da rede; então na época fizemos um trabalho muito interessante sobre essa questão da pré- história local, contando desde a questão do sambaquis que é muito rica na nossa região, quanto a questão indígena, a colonização e o resultado disso tudo que é a cultura caiçara.
Além das palestras fizemos também visitas técnicas a sambaquis, aldeias indígenas e municípios históricos da nossa região. Foi muito produtivo tanto que durante mais ou menos uns dois ou três anos fui convidada constantemente para fazer palestras nas escolas do município, em todos as esferas, ou seja, nas escolas municipais, estaduais e particulares, para um grande número de alunos.
Esse trabalho também rendeu mais tarde o convite da então Secretária de Educação, Francisca Gorete, para eu ser autora de apostilas na área de história, onde pode-se falar mais um pouco sobre a questão da nossa pré-história.
Vejo nesses trabalhos uma grande oportunidade de expandir o conhecimento da nossa história e assim ativar a percepção da nossa identidade com os alunos, que são multiplicadores de informações; essas novidades históricas e culturais eles levavam pra casa e discutiam com os pais, que acabavam gostando e querendo participar dessas histórias contando relatos de vida dentro no cotidiano da história do nosso município.
Temos hoje no município vários sítios arqueológicos, tanto pré-históricos, como sambaquis e aldeias indígenas, quanto históricos, como aldeamentos e algumas construções.

BLOG: Sabe-se que o Aldeamento São João Batista foi um dos principais na época colonial. Como você vê esta etapa na História do Brasil? Qual a importância do aldeamento não só para a região, mas para a própria História nacional?

Sim, o Aldeamento São João Batista é citado em vários documentos da época colonial e do Império. Além de ter sido um importante ponto de catequização no século XVI, era passagem para os viajantes que seguiam para o sul do Brasil.
Temos registro de características do local desde as primeiras cartografias que mostravam a região no século XVI já com o nome de Pheruybe. Além de citações nas cartas jesuíticas de Manoel da Nóbrega, Aspicueta Navarro e José de Anchieta. Outros viajantes também citam o lugar, assim como Custódio Sá de Farias que confeccionou o único desenho da Igreja de São João Batista no século XVIII.
Essa etapa da construção da História do Brasil é muito importante como alicerce cultural, onde temos um forte exemplo de aculturação, onde os índios foram catequizados, esquecendo a sua cultura e implementando a cultura europeia em suas vidas. Leonardo Nunes foi o primeiro jesuíta a pisar na Capitania de São Vicente, sendo então o primeiro responsável por essa aculturação que foi reforçada com a chegada de José de Anchieta no Brasil, pois este primeiro fez questão de aprender as tradições e a linguagem indígena para depois, por meio de peças teatrais, cantos e danças, catequizar e doutrinar os indígenas.
Após o século XVI, ainda no período colonial do Brasil, por estar em um ponto estratégico, um outeiro, o local foi bastante explorado como ponto de descanso dos viajantes nesse período, tendo recebendo outras irmandades religiosas, como os franciscanos.

BLOG: Outro tema essencial: para você onde, de fato, estava localizado este importante Aldeamento? Há como afirmar com certeza sua localização?

Há vários relatos quando a esse aspecto, principalmente nas cartas jesuíticas no livro Aldeamentos Paulistas, de Pasquale Petrone; esses relados e mais algumas observações de raríssimos mapas da época provam que de fato o aldeamento estava localizado onde hoje chamamos Ruínas do Abarebebê e seu entorno.

BLOG: Quando iniciou a decadência deste Aldeamento? Quais as razões, a seu ver?

Segundo levantamento do arqueólogo e historiador Plácido Cali, a decadência do local inicia-se no final do século XVIII.

BLOG: E as Ruínas do Abarebebê: há sérias controvérsias, a partir do rigor histórico, sobre quando teria sido erguida a Igreja. Exemplo: seria uma construção jesuítica ou franciscana? Para você, Fátima, o que mais se aproxima da realidade, tendo em vista os documentos históricos existentes?

Eu particularmente, referindo-se a questão da construção, acredito que tenham construções distintas em períodos distintos. Tanto no caso da passagem dos jesuítas, que se têm relatos nas cartas jesuíticas, quanto a questão de algum tempo depois, com a presença dos franciscanos, como provam alguns documentos que, inclusive, fazem parte da musealização das Ruínas. Tanto que o visitante pode observar esses fatos analisando os dois banners que tratam do assunto e estão instalados na parte alta do outeiro; esses banners são frutos das pesquisas históricas realizadas pelo arqueólogo e historiador Plácido Cali. Portanto, a parte documental e a arqueológica provam essas presenças.

BLOG: Quais os documentos e registros que considera principais para definirmos a data – mesmo que aproximada – da construção daquela edificação?

Como mencionei, os relatos das Cartas Jesuíticas e mais outros relatos da época, tais como documentos de posse de terra, nascimentos, mortes e outros levantamentos, como o desenho do general Augusto Sá de Farias, que desenha Igreja intacta, são os que aos poucos vão relatando os fatos do lugar; porém essa documentação é rara e escassa.

BLOG: E o papel dos jesuítas, de fato estiveram em solo peruibense? Quais os registros principais da trajetória e ações de Leonardo Nunes em nosso território?

O padre Leonardo Nunes foi o primeiro jesuíta a pisar na Capitania de São Vicente, a ele foi incumbida a importante missão de descer ao Sul do Brasil (uma vez que os primeiros jesuítas chegaram na Bahia, juntamente com o primeiro Governador Geral do Brasil, em 29 de março de 1549), para verificar a questão da escravidão indígena e da catequização, que era um dos principais propósitos da Contra Reforma, movimento religioso dos reis católicos (Portugal e Espanha) em suas colônias espalhadas pelo mundo com o objetivo de ir ao encontro do Movimento de Reforma Religiosa que ocorria na Europa.
Sendo assim, a recém formada ordem jesuítica era a mais indicada pera essa função e propósito.
Na minha percepção ele foi muito importante na questão do início da construção social e cultural do Brasil, ele veio organizando as questões da educação desde o litoral da Bahia, descendo pelo Espírito Santo, Rio de Janeiro até finalmente chegar a São Vicente. Portanto, de 1549 à 1554 ele foi um dos principais responsáveis pela aculturação e doutrinação do litoral brasileiro e principalmente pela Capitania de São Vicente e Piratininga, que na época, século XVI, pertenciam à Capitania de São Vicente.
Foi ele que em dezembro de 1553 foi buscar para essas terras José de Anchieta, na época apenas um irmão de 17 anos de idade, e que depois se tornou um dos mais importantes intelectuais do período colonial.

BLOG: A seu ver, de fato Leonardo Nunes aqui esteve ou não passa de lenda? Existe registro documentado desta passagem?

Como mencionei anteriormente Leonardo Nunes não é lenda na nossa região. Foi de fato um jesuíta de grande valor para o objetivo da Igreja e do Reino de Portugal no Brasil. De fato catequizou os índios, converteu Pero Correia e ainda levou o codinome de Abarebebê, dado pelos índios.

BLOG: Desde o início dos anos 2000 tem-se o processo de demarcação da Terra Indígena Piaçaguera. Esse fato levantou a questão sobre se os índios de hoje guardavam relação com antepassados desterrados do Aldeamento São João Batista. Como encara esta questão? Em suas pesquisas e experiência sobre a história local conseguiu informações que possam jogar luz sobre estes fatos?

Para mim este fato ainda é incógnito e não sou a pessoa mais indicada para essas informações, o que se tem de fato é que os índios que habitavam essas terras no século XVI, ou foram se espalhando ou foram morrendo, e eram mais da etnia Tupiniquim. Há relatos que os índios Guarani chegaram nessa região apenas no início do século XX, porém essa é uma parte da história ainda bastante complexa que precisa de outras ciências como a antropologia, arqueologia, geografia, para poderem ajudar e dar uma luz de certezas a história que pretende se contar, ou seja, esse assunto ainda demanda bastante pesquisa.

BLOG: Os estudiosos Plácido Cali, Dorath Pinto Uchôa, dentre outros, desenvolveram trabalhos arqueológicos em solo peruibense e daí resultaram em algumas contribuições. Onde e quais os principais locais em que foram encontrados sítios com sambaquis e peças arqueológicas? Quais as políticas públicas para preservar estes registros?

O município todo de Peruíbe e região é um sítio arqueológico a céu aberto, foram encontrados diversos vestígios de épocas distintas em várias localidades, como, por exemplo, no Guaraú, Fazenda São João, Centro, Ruínas do Abarebebê, Caraguava, Taniguá, Barro Branco, Juréia. Essas localidades são as principais e a maioria tem registros dos seus sítios no IPHAN (Instituto do Patrimônio, Histórico e Arqueológico Nacional).
Há no município sítios pré-históricos (sambaquis e indígenas) e históricos (aldeamentos, engenhos e fazendas de arroz).
Hoje as peças encontradas no município encontra-se na reserva técnica do MAE ( Museu Arqueológico e Etnológico) da USP e outras na UNISANTOS.
Foram registrados no IPHAN, pelo arqueólogo e historiador Plácido Cali, alguns sítios; peças foram catalogadas e registradas e hoje compõe o acervo permanente do Museu Histórico e Arqueológico de Peruíbe.
Há projetos em parceria com o Departamento de Educação para que o museu, além de ser o local do acervo, seja um local de dinâmicas e diversos cursos na área de história, arqueologia, antropologia e patrimônio cultural, onde os munícipes e turistas poderão conhecer muito mais a respeito da história não só de Peruíbe, mas também da região.

BLOG: Onde se encontram, Fátima, esses materiais: Museu de Peruíbe, Museu de Etnologia da USP, Museu Paulista… Você estima em quantas peças estão sob guarda que preservam esse rico material? Onde há peças arqueológicas de Peruíbe ou reserva técnica deste material? As pessoas tem acesso a estes verdadeiros “documentos de uma época”?

Acredito que respondi a essa pergunta na resposta anterior.

BLOG: Vamos falar da região do Guaraú. Há ruínas no Arpoador/Guarauzinho que dizem ter sido porto “de escravos” ou “de comércio”. Procede? De fato Peruíbe foi ponto do litoral onde navios aportavam e havia estas atividades?

Quanto há esta questão eu particularmente ainda não pesquisei mais profundamente sobre o assunto e ainda não encontrei documentos com tais registros. Estou em processo de pesquisa nesse caso, portanto prefiro me manifestar sobre esse assunto quando estiver algum dado mais concreto, para poder informar inclusive com a fonte.

BLOG: É sabido que personagens como Pero Correa tinha terras onde hoje é Peruíbe. Quais foram suas atividades nestas paragens? Ele teria atuado no Guaraú, isso de fato é comprovável ou outra lenda???

Segundo alguns registros sim, ele era proprietário de terras em Peruíbe e em São Vicente, perto do Porto das Naus.

BLOG: Falando em lenda, quais as principais lendas locais que conhece?

Conhecida até nacionalmente inclusive é a lenda dos Vagalumes, depois tem a da Ariú, que não se sabe o autor e é uma lenda muito interessante e até romantizada em relação à evangelização e a amizade entre os índios e os jesuítas. Sobre essa lenda eu sei até de dois projetos paralelos de adaptação, um foi na década de 80 com alunas do magistério, hoje a maioria professoras do município, que adaptaram para o teatro e encenaram essa lenda na antiga escola JB (Jardim Brasil), hoje Carmem Miranda, e uma adaptação feita por mim, com inclusões de fatos da história do século XVI e ilustrada pela artista plástica Léa Camargo, um livro de infanto-juvenil que inclusive está pronto pela editora Inteligência,que é daqui do município, só precisamos de patrocínio para publicá-lo.
Na década de 80 a escritora e moradora do município Maya Ekman escreveu um livro somente sobre as lendas do município, eram várias que ocorriam no bairro do Guaraú; como descreveu uma lenda também bastante falada no Brasil, pois há várias versões de que ocorra em várias localidades distintas, que é a lenda da Bola de Fogo.
No meu TCC de licenciatura de História o meu tema foi a respeito das Lendas e das Festas Religiosas de Peruíbe.

BLOG: Muito também se fala sobre o papel do Caminho do Telégrafo ou Caminho do Imperador? Qual a importância central deste caminho? Ainda existem, preservados, marcos destes tempos?

Esse caminho era o que ligava a região Sudeste com o Sul do país e até mesmo com países vizinhos. Alguns registros falam da importância desse trajeto durante a Guerra do Paraguai, ele cruzava toda a Baixada Santista, onde hoje estão as avenidas Beira Mar. No município de Peruíbe ainda temos trechos quase que intactos como na região do Taniguá e na Juréia.

BLOG: Já na década de 1950/1960 havia no centro da cidade a Casa do Índio, extinta posteriormente. Chegou a pesquisar algo sobre este espaço público?

Na verdade, pesquisar especificamente não, soube da existência desse local por meio de uma fotografia e de conversas com o pesquisador Roosevelt de Almeida Santos e com a Mariazinha Ataúlo.

BLOG: Outro ponto: a Fazenda São João como se insere na história local? Há registros arqueológico e/ou histórico deste local?

A Fazenda São João é um ponto histórico muito importante do nosso município, em vários aspectos e em vários momentos distintos.
Não possuo nenhum documento em relação a esses dados e o que sei sobre ela é por entrevistas feitas por mim por mim e pelo Dr. Rubens Nogueira de Souza, o popular Rubinho, com o Sr. Albano Ferreira, e em visitas técnicas que fizemos no local há alguns anos, onde constatamos, sim, muito material arqueológico. Inclusive há referências a ela como sítio arqueológico importante no contexto de nosso município no Museu Histórico e Arqueológico de Peruíbe.

BLOG: Fátima, além de historiadora, você é educadora. Qual a bibliografia e autores principais que indicaria a quem quer conhecer um pouco mais da história de Peruíbe, do aldeamento, das Ruínas do Abarebebê, Leonardo Nunes, Pero Correa etc., em suma, da história local?

Em relação ao período colonial muitas coisas relacionadas à Capitania de São Vicente podem se considerar um relato da localidade também, por isso as Cartas Jesuíticas, de Serafim Leite são muito interessantes, assim como o livro Capitania de São Vicente, escrito por Frei da Madre de Deus, um livro que mencionei anteriormente, Aldeamentos Paulistas, de Petrone, e Sambaquis de Benedito Calixto (esse é raro).

BLOG: Quais ações apontaria para resgatar e valorizar a história de Peruíbe?

Um trabalho que eu fiz e teve início em 2003 e foi até 2010 – e que será retomado agora e é de extrema importância – é a conscientização dos alunos das escolas do município, por meio de apostilas, palestras e interação com visitas técnicas ao museu e a outros pontos históricos e culturais do município. Além de palestras aos professores, essa atividade ajuda muito, pois, conscientiza para a riqueza da nossa história, das nossas memórias, além dos alunos serem multiplicadores de conhecimento; com as novas informações eles vão para casa e compartilham com seus familiares, que por vezes lhes contam outras histórias e a gama de informações dessa forma vai enriquecendo cada vez mais. Essa foi uma parceria entre o Departamento de Cultura e o Departamento de Educação.
Outra forma que fizemos e foi muito legal, foi a parceria entre Departamento de Cultura e Turismo em um treinamento que fizemos anos atrás com o objetivo de orientar os funcionários e os donos de quiosques, restaurantes, bares e outros comércios, com palestras com informações histórica e turísticas, para que essas pessoas, além de aprender multiplicar esse aprendizado com turistas e veranistas, e por vezes com os próprios munícipes frequentadores de seus estabelecimentos.

BLOG: Quais os locais citaria, indicaria, para termos em Peruíbe um roteiro histórico a ser conhecido por moradores e visitantes?

Peruíbe tem muita riqueza histórica e natural, há lugares que ainda não posso indicar por não haver uma estrutura adequada para uma boa visitação, ou seja, com o devido monitoramento, mas temos as Ruínas do Abarebebê, que nesse momento passa por uma estruturação para um melhor atendimento; na mesma região temos a Colônia Veneza, que desenvolve um belo e rico trabalho na questão da arte e cultura dentro do município.
Mais ao Centro temos o aquário, que tem uma estrutura educativa bem bacana, o porto de pesca, que além da história, pode-se entender as questões hidrográfica entre outras questões.
A Estação Ferroviária hoje é um dos pontos mais preparados para receber visitantes, pois, além de estar com a sua estrutura organizada, abriga o Museu Histórico e Arqueológico Municipal.

BLOG: Já agradecendo sua presteza e atenção, deixe suas considerações finais?

Quero agradecer a oportunidade dessa entrevista, poder falar do município de Peruíbe é sempre um privilégio e uma grande satisfação.
Peruíbe é um município muito rico em história de uma forma geral, não só de história, mas de pré-história também, pois temos registros da presença humana há mais de 3000 anos e toda essa riqueza deve ser estudada e contada. Mas isso é um grande passo que estamos trabalhando para que as pessoas possam observar, entender e principalmente conhecer e se sentir parte dessa história toda.

(Foto: FátimaCristinaPires/Facebook

Ruínas do Abarebebê em recuperação

Ruinas do Abarebebe

O jornal A Tribuna, de Santos, publicou neste domingo (20), reportagem de capa (Ruínas do Abarebebê são recuperadas) que retrata o estágio de obras e do projeto que visa recuperar aquele sítio arqueológico, tombado pelo Condephaat.
O texto registra o quadro atual e reúne informações históricas a respeito daquele importante outeiro. Segundo a reportagem, ilustrada com várias fotografias, as Ruínas do Abarebebê (foto) devem ser reabertas ao público em outubro.
Interessante também breve histórico apresentado e a visão da historiadora Fátima Pires, que destaca a importância do período “anterior à colonização”. Torço para que aquele espaço histórico de fato seja reaberto a todos que querem saber mais sobre nossas raízes e história, com condições adequadas (infraestrutura, painéis informativos, segurança e muito mais).

(Foto: Internet)

Pedro Batista lança Jornadas de Junho em São Paulo

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Neste sábado o escritor Pedro César Batista lança em São Paulo a sua obra mais recente “Jornadas de Junho, As Ruas do Brasil são ocupadas e ganham vozes”, em debate que será realizado no Espaço Cultural Latino Americano (ECLA).
O livro trata da grande mobilização em todo País, que ocorreram das grandes metrópoles às pequenas cidades, ocorridas no ano passado, cobrando qualidade nos serviços de mobilidade urbana, democracia, reforma política, fim da corrupção, políticas públicas de cultura e muito mais. Li a obra – como já comentado neste blog – e recomendo. O autor, como é sabido, atuou em Peruíbe, tendo sido coordenador do Orçamento Participativo na década de 1990, além de participar ativamente dos espaços culturais na cidade.
Também participam do debate a professora da IFSP, Sônia Martins, e membros da Juventude LiBre e Movimento Passe Livre (MPL). O ECLA fica na Rua Abolição, 244, Bexiga.

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